Você já criou aquele programa de desenvolvimento de lideranças. Um programa grande, uma trilha inteira. Trouxe os melhores palestrantes. Deu um trabalho enorme, porque afinal eram os líderes.
E aí as pessoas não foram. O quórum foi baixo. Ou elas iam, mas surgia uma urgência e precisavam sair no meio.
Já vivi essa situação muitas vezes em 25 anos. Vou falar das três razões, e a terceira é a que quase ninguém encara.
As pessoas estão ali para performar
Primeiro, uma coisa importante e desconfortável: as pessoas estão dentro de uma empresa para performar, para ter o resultado do trabalho delas. Não para ficar assistindo aula.
Elas só vão priorizar aquela aula se perceberem que ela traz algo de valor aplicável no dia a dia, que impacta o resultado delas e que faz elas ganharem pontos com isso.
Repare que isso não é falta de interesse por desenvolvimento. É cálculo de prioridade, e é um cálculo racional.ninguém falta ao que ajuda a entregar.
O indicador está errado
Segundo: quando a gente elabora esses programas, sejam trilhas longas ou um curso pontual, a gente tem que relacionar aquilo a um indicador muito claro de negócio.
E aqui está o problema. Sabe aqueles indicadores de hora-homem treinado, ou de quantas pessoas passaram por treinamento? Pois é. A gente precisa fugir deles.
O que esses indicadores medem de verdade
Hora-homem treinado mede consumo, não resultado. Ele diz quanto tempo foi gasto, não o que mudou. Um programa péssimo com presença obrigatória pontua melhor nesse indicador do que um programa excelente e enxuto.
O indicador de eficiência de um treinamento tem que se relacionar a números próximos do EBITDA. É sobre isso.
A única razão de existir educação corporativa é melhorar a qualidade dos nossos profissionais e isso impactar positivamente nos negócios.
Legal não basta
Terceiro, e não menos importante: todas essas ações têm que ser muito legais, divertidas, engajadoras. Mas elas têm que funcionar.
Não dá para dissociar as duas coisas. Fazer um grande evento muito bacana e as pessoas não perceberem o valor daquilo nem o impacto no dia a dia delas, tanto no negócio quanto na carreira, é ter feito um evento, não uma ação de educação.
Essa é a tensão do ofício inteiro: divertido e competente ao mesmo tempo. Um sem o outro não entrega.
O que checar antes do próximo programa
Se o quórum caiu no seu último programa, vale testar três coisas antes de culpar a agenda de todo mundo.
A primeira é se aquilo era treinamento mesmo ou era informação disfarçada de treinamento, porque nesse caso as pessoas acertaram em não ir.
A segunda é se o objetivo estava descrito com as cinco perguntas respondidas, porque sem isso não existe indicador de negócio possível: não dá para medir o que não foi definido.
A terceira é se o formato pedia mesmo tirar a pessoa do trabalho, ou se aquilo cabia na rotina dela.
E aí, você está com dúvida sobre algum dos seus programas para líderes? Vamos papear sobre isso.