Um cliente nos chamou para treinar o time comercial que ia vender eventos de chope. Pensa num festival de música, num festival cultural da cidade: tem atrações acontecendo, mas tem também venda de comida e bebida. Nesse caso, a bebida era chope.
Fomos entender o que as pessoas precisavam saber. E descobrimos que era muita coisa.
O problema não era o conteúdo. Era onde ele estava
Existia uma única pessoa que sabia tudo sobre aquilo, e estava tudo na cabeça dele.
Ele trabalha há muitos anos na área, é muito experiente, e por saber tudo, tudo sempre caía para ele. Só que não dá para ficar só na mão de uma pessoa: ele não dá conta de atender todos os eventos.
O que descobrimos ao conversar com ele
São muitos processos, muitas camadas, muitos stakeholders. E nem todos os processos estão claros ou documentados. Cada conversa revelava mais informação do que a anterior.
Antes de desenhar qualquer coisa, era preciso fazer um download da cabeça dele. Não das informações: da experiência inteira que ele construiu ao longo da carreira.documentar não é a etapa chata. é a etapa.
Três blocos, três formatos
Com tudo na mesa, apareceram pelo menos três grandes blocos de assunto. E aqui está o ponto do caso: cada bloco pedia um formato diferente. Por variedade? Não. Porque o conteúdo era de naturezas diferentes, e a gente só descobre isso depois de colocar tudo para fora.
O técnico virou vídeo demonstrativo
Como se operacionaliza o serviço: montar a torneira, servir, manter o chope na temperatura e na pressão corretas para sair com a espuma certa. Que equipamento usar para qual quantidade de pessoas. Como dimensionar litros por hora de evento.
Isso virou curso técnico com vídeo, mas não videoaula comum: era um vídeo conversando e demonstrando o uso dos equipamentos, no local, com os técnicos fazendo.
As relações viraram podcast
O segundo bloco era: com quem eu preciso interagir dentro e fora da companhia para organizar um evento? Tem o cliente, que às vezes é a prefeitura. E internamente tem produção, compras, compliance, jurídico, a própria área comercial.
Para isso a gente produziu um podcast, conversando com cada uma dessas áreas para explicar o que é importante ver e cuidar num evento como esse.
O imprevisto virou reality show
Mas nada disso é tão bom quanto ver o evento acontecendo na prática, com tudo o que acontece: o planejado e o não planejado, que você vai ter que resolver.
Para isso a gente fez um reality show acompanhando hora a hora a montagem de um grande evento em São Paulo, até ele acontecer e terminar.
Entregar tudo de forma prática, numa linguagem que eles compreendessem, e que fosse divertido para manter a atenção.
O que este caso mostra
Ele é a demonstração de duas ideias que aparecem soltas em outros episódios.
A primeira é que o mesmo conteúdo aceita formatos diferentes: esqueleto, corpo e roupa, exatamente como na distinção entre design instrucional e design de experiência. Aqui o esqueleto era um só: como fazer um evento de chope dar certo. Os corpos foram três.
A segunda é que nem tudo que ensina precisa ser um curso. Se a gente tivesse transformado os três blocos num curso único, o técnico teria ficado abstrato e o imprevisto teria virado bullet point, que é onde ele morre.
Baita desafio. A gente adora desafio. Você tem um por aí? Vem conversar com a gente.