# O desafio de um treinamento: Reality Chopp

Fonte: Bora Facilitar, episódio em https://www.youtube.com/watch?v=a0NKbjNXmtE

Um cliente nos chamou para treinar o time comercial que ia vender eventos de
chope. Pensa num festival de música, num festival cultural da cidade: tem
atrações acontecendo, mas tem também venda de comida e bebida. Nesse caso, a
bebida era chope.

Fomos entender o que as pessoas precisavam saber. E descobrimos que era muita
coisa.

## O problema não era o conteúdo. Era onde ele estava

Existia **uma única pessoa** que sabia tudo sobre aquilo, e estava tudo na
cabeça dele.

Ele trabalha há muitos anos na área, é muito experiente, e por saber tudo,
tudo sempre caía para ele. Só que não dá para ficar só na mão de uma pessoa: ele
não dá conta de atender todos os eventos.

**O que descobrimos ao conversar com ele**

São muitos processos, muitas camadas, muitos stakeholders. E nem todos os
processos estão claros ou documentados. Cada conversa revelava mais informação
do que a anterior.

Antes de desenhar qualquer coisa, era preciso fazer um
download da cabeça dele. Não das informações: da experiência inteira que
ele construiu ao longo da carreira.

## Três blocos, três formatos

Com tudo na mesa, apareceram pelo menos três grandes blocos de assunto. E aqui
está o ponto do caso: cada bloco pedia um formato diferente. Por variedade? Não.
Porque o conteúdo era de naturezas diferentes, e a gente só descobre isso depois
de colocar tudo para fora.

### O técnico virou vídeo demonstrativo

Como se operacionaliza o serviço: montar a torneira, servir, manter o chope na
temperatura e na pressão corretas para sair com a espuma certa. Que equipamento
usar para qual quantidade de pessoas. Como dimensionar litros por hora de
evento.

Isso virou curso técnico com vídeo, mas não videoaula comum: era um vídeo
conversando e demonstrando o uso dos equipamentos, no local, com os técnicos
fazendo.

### As relações viraram podcast

O segundo bloco era: com quem eu preciso interagir dentro e fora da companhia
para organizar um evento? Tem o cliente, que às vezes é a prefeitura. E
internamente tem produção, compras, compliance, jurídico, a própria área
comercial.

Para isso a gente produziu um podcast, conversando com cada uma dessas áreas
para explicar o que é importante ver e cuidar num evento como esse.

### O imprevisto virou reality show

Mas nada disso é tão bom quanto ver o evento acontecendo na prática, com tudo o
que acontece: o planejado e o não planejado, que você vai ter
que resolver.

Para isso a gente fez um reality show acompanhando hora a hora a montagem de um
grande evento em São Paulo, até ele acontecer e terminar.

> Entregar tudo de forma prática, numa linguagem que eles compreendessem, e que fosse divertido para manter a atenção.
>
> Fernanda Godoy

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## O que este caso mostra

Ele é a demonstração de duas ideias que aparecem soltas em outros episódios.

A primeira é que o mesmo conteúdo aceita formatos diferentes:
esqueleto, corpo e roupa, exatamente como
[na distinção entre design instrucional e design de experiência](/episodios/design-instrucional-e-design-de-experiencia-de-aprendizagem/).
Aqui o esqueleto era um só: como fazer um evento de chope dar certo. Os corpos
foram três.

A segunda é que
[nem tudo que ensina precisa ser um curso](/episodios/como-planejar-um-curso/).
Se a gente tivesse transformado os três blocos num curso único, o técnico teria
ficado abstrato e o imprevisto teria virado bullet point, que é onde ele morre.

Baita desafio. A gente adora desafio. Você tem um por aí? Vem conversar com a
gente.
