Você já ouviu os dois termos e provavelmente usa os dois como se fossem sinônimos. Não são. E a confusão custa caro, porque leva gente a contratar uma coisa esperando a outra.
Ele é mais velho do que a internet
A primeira surpresa é a idade. O design instrucional foi desenhado por volta de 1945, no século passado, muito antes de existir plataforma, LMS ou videoaula. Ele é um processo para desenhar uma instrução de modo que ela seja aprendida de forma eficiente. Só isso. Nada no conceito diz "digital".
Aqui no Brasil, porém, ele virou quase sinônimo de ensino online. Os cursos de formação são voltados para instrução digital, e o resultado é que o designer instrucional brasileiro é entendido como a pessoa que organiza conteúdo dentro de um EAD: onde entra o conceito, onde entra o exercício, onde entra a avaliação.
Ensino a distância não é sinônimo de digital
O Instituto Universal Brasileiro fez ensino a distância durante décadas sem nenhuma plataforma: eram cursos apostilados que chegavam pelo correio. Hoje existe o formato híbrido, aula online com material físico enviado pelos Correios. Um curso de corte e costura em que você assiste às aulas na tela e recebe os moldes em casa é ensino a distância, e o design instrucional deveria trabalhar nas duas frentes.
Nem tudo que ensina precisa ser um curso
Tem uma escolha de palavra que eu faço de propósito: eu não falo "curso", falo ação instrucional. A diferença não é preciosismo.
Quando alguém precisa aprender alguma coisa, o reflexo é montar um curso. Mas às vezes um vídeo resolve. Às vezes um framework resolve. Às vezes uma tarefa bem desenhada resolve. Chamar tudo de curso já te obriga a construir um curso, mesmo quando o problema pedia dez minutos de outra coisa.
Às vezes apenas um vídeo é suficiente para a pessoa aprender.
O que o design de experiência enxerga a mais
Aí entra a segunda função. O designer de experiência de aprendizagem sabe design instrucional e faz essa parte também. A diferença é o tamanho do quadro que ele olha.
Num curso presencial, a experiência começa muito antes da aula. Começa no convite. Passa por como a pessoa é recepcionada, que lugar é aquele, que comida vai ter, qual é a iluminação, como é a decoração, o que acontece no intervalo. E não termina quando a aula acaba: tem tudo o que sustenta aquilo depois.
"Você pode falar: ah, é parecido com alguém que faz eventos. Até é. Mas eu tenho um olhar mais específico para promover a aprendizagem."
Esqueleto, corpo e roupa
A analogia que amarra tudo é anatômica.
O esqueleto é o conteúdo. Ele é a estrutura, o que faz a coisa ficar em pé. Esqueleto de uma pessoa para outra é quase igual, sempre magrinho e cheio de osso. Parece pouco, mas é o que sustenta.
O corpo é o formato. Um mesmo esqueleto dá estrutura para corpos diferentes: mais alto, mais baixo, mais magro, mais gordo. Na prática, o mesmo conteúdo pode virar curso presencial, curso online, infográfico, framework ou vídeo. Para o mesmo conteúdo, formatos diferentes.
A roupa é a experiência de aprendizagem. É a camada mais externa, a que carrega clima, tom e mensagem. Para cada corpo cabem estilos muito distintos: esportivo, formal, glamoroso.o esqueleto não muda. o resto é decisão de projeto.
O design instrucional faz o esqueleto e dá o corpo. O design de experiência veste esse corpo.
Por que isso importa na hora de contratar
Se você precisa que um conteúdo denso vire algo aprendível, você está atrás de design instrucional. Agora, se o que está ruim é a jornada inteira, e as pessoas não aparecem, não terminam ou não aplicam nada depois, o problema não está no esqueleto. Está na roupa.
E olha, a gente erra muito nessa hora. Contrata quem vai fazer o esqueleto quando o que estava quebrado era a roupa, e depois estranha que o conteúdo era bom e mesmo assim não funcionou.
Se a peça que falta é o esqueleto, o próximo passo é como se constrói o conteúdo. Se o que falta é o objetivo, comece por aqui.