# Treinamentos que impactam nos negócios

Fonte: Bora Facilitar, episódio em https://www.youtube.com/watch?v=V-EAkGyAKlQ

Você já criou aquele programa de desenvolvimento de lideranças. Um programa
grande, uma trilha inteira. Trouxe os melhores palestrantes. Deu um trabalho
enorme, porque afinal eram os líderes.

E aí as pessoas não foram. O quórum foi baixo. Ou elas iam, mas surgia uma
urgência e precisavam sair no meio.

Já vivi essa situação muitas vezes em 25 anos. Vou falar das três razões, e a
terceira é a que quase ninguém encara.

## As pessoas estão ali para performar

Primeiro, uma coisa importante e desconfortável: as pessoas estão dentro de uma
empresa para performar, para ter o resultado do trabalho delas. Não para
ficar assistindo aula.

Elas só vão priorizar aquela aula se perceberem que ela traz algo de valor
aplicável no dia a dia, que impacta o resultado delas e que faz elas ganharem
pontos com isso.

Repare que isso não é falta de interesse por
desenvolvimento. É cálculo de prioridade, e é um cálculo racional.

## O indicador está errado

Segundo: quando a gente elabora esses programas, sejam trilhas longas ou um
curso pontual, a gente tem que relacionar aquilo a um indicador muito claro de
negócio.

E aqui está o problema. Sabe aqueles indicadores de
hora-homem treinado, ou de quantas pessoas passaram
por treinamento? Pois é. A gente precisa fugir deles.

**O que esses indicadores medem de verdade**

Hora-homem treinado mede consumo, não resultado. Ele diz quanto tempo foi
gasto, não o que mudou. Um programa péssimo com presença obrigatória pontua
melhor nesse indicador do que um programa excelente e enxuto.

O indicador de eficiência de um treinamento tem que se relacionar a números
próximos do EBITDA. É sobre isso.

> A única razão de existir educação corporativa é melhorar a qualidade dos nossos profissionais e isso impactar positivamente nos negócios.
>
> Fernanda Godoy

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## Legal não basta

Terceiro, e não menos importante: todas essas ações têm que ser muito legais,
divertidas, engajadoras. Mas elas têm que **funcionar**.

Não dá para dissociar as duas coisas. Fazer um grande evento muito bacana e as
pessoas não perceberem o valor daquilo nem o impacto no dia a dia delas, tanto
no negócio quanto na carreira, é ter feito um evento, não uma ação de educação.

Essa é a tensão do ofício inteiro: divertido e competente ao mesmo tempo. Um
sem o outro não entrega.

## O que checar antes do próximo programa

Se o quórum caiu no seu último programa, vale testar três coisas antes de
culpar a agenda de todo mundo.

A primeira é se aquilo era treinamento mesmo ou
[era informação disfarçada de treinamento](/episodios/informacao-nao-e-treinamento/),
porque nesse caso as pessoas acertaram em não ir.

A segunda é se o objetivo estava descrito com as
[cinco perguntas respondidas](/episodios/como-planejar-um-curso/), porque sem
isso não existe indicador de negócio possível: não dá para medir o que não foi
definido.

A terceira é se o formato pedia mesmo tirar a pessoa do trabalho, ou se
[aquilo cabia na rotina dela](/episodios/como-incluir-acoes-de-treinamento-no-dia-a-dia-do-time-70-20-10/).

E aí, você está com dúvida sobre algum dos seus programas para líderes? Vamos
papear sobre isso.
