Tatá toca a Rock Casting, Laís toca a Oxigênio, produtora de eventos corporativos. Juntas criaram o Ela Produz, e a história de como isso aconteceu é, sem que ninguém tenha planejado assim, uma história sobre formação profissional.
O mercado de eventos movimenta mais de 350 bilhões no país, algo em torno de 4,5% do PIB, e elas dizem sem rodeios que não existe um processo correto e óbvio de fazer evento.
Uma hora e vinte, e o mapa está aqui.
Não existe processo óbvio, existem modelos que se ajustam
A operação de um evento se destrincha em artístico, gastronomia, serviços, e o que governa é a premissa de cada projeto. É por isso que a formação nesse mercado nunca coube num manual.
Dez amigas num grupo de WhatsApp, na pandemia
A meta era modesta e a primeira função não foi oportunidade: foi socorro. Vaquinhas e cestas básicas para carregadores e para quem cuida da limpeza dos eventos. A oportunidade veio depois, porque a confiança já existia.
Indicar é assumir responsabilidade
Quando o grupo cresceu, elas colocaram critério: onde a pessoa trabalha, quanto tempo de experiência, e cultura. Saíram de trabalhos abusivos para abrir as próprias empresas justamente para não reproduzir aquilo, e uma delas faz questão de lembrar que não são só homens que são abusivos.
A equipe que se veste de preto para não aparecer
Elas comparam com o contrarregra de teatro: é essa gente que garante que o ar condicionado funcione e que a caneta esteja em cima do caderno. A Fernanda emenda com a regra que levava a todo treinamento numa empresa de limpeza urbana: parem de colocar apelido nas pessoas.
A revolução é feminina. E produção de eventos não é bico.
O cliente que elas recusaram
Numa feira de caminhões, o uniforme proposto para as mulheres era um macacão coladíssimo. Elas declinaram e indicaram agências parceiras. O que impressiona é a autocrítica junto: aceitar em nome do faturamento enquanto se prega outra coisa seria hipocrisia.
Concorrência não remunerada deveria estar na conversa de ESG
Agências entregam muitas horas de criação sem receber nada, e elas nomeiam isso como questão de cadeia produtiva, não como praxe do mercado.
Trinta mulheres num restaurante viraram formação
O primeiro encontro encerrou inscrições por falta de espaço. O segundo ocupou cinco salas. Depois virou agenda simultânea com mais de quinze atrações e mais de cem mulheres, e o foco declarado passou a ser formação técnica do ofício, ensinada por pares.