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Podcast, primeira temporada 4 de fevereiro de 2025 1 h 21 min com Juliana de Freitas

Juliana de Freitas - A IA e a Educação

Enfermeira com doutorado, gestora de pós-graduação no Einstein, sobre inteligência artificial na educação em saúde.

Enfermeira de formação, com doutorado, treze anos em educação e saúde e hoje gestora da pós-graduação do Einstein. É o episódio em que a conversa sobre inteligência artificial sai do entusiasmo e vai parar numa pergunta bem mais incômoda: quem é o cliente da educação?

O mapa da conversa está aqui, e cada ponto leva ao minuto no vídeo.

07:04 no episódio

O mito de que quem ensina é quem não sabe fazer

Ela desarma a frase de que professor é quem não é bom na prática, e mostra por que as duas figuras são necessárias: quem está na ponta traz a realidade, quem está fora dela consegue pesquisar e mudar o cenário. O risco a vigiar é o oposto em cada lado: estar longe demais da realidade, ou preso demais nela.

13:55 no episódio

Proibir o celular resolve o sintoma e cria outro problema

Ela entende o benefício de tirar a tecnologia da sala, porque ela consome tempo em coisa que não agrega. Mas aponta o custo: são nativos digitais que vão usar tecnologia para tudo, pessoal e profissionalmente. Antes da proibição viria uma mudança cultural nas práticas de quem ensina.

20:59 no episódio

Uma professora pediu para os alunos apontarem onde usaram IA

E não para punir: para mapear. Juliana observa que a docência nunca se preocupou em fazer esse mapeamento, nem com o celular. A pergunta padrão é "guarda isso", nunca "o que você está fazendo aí". Sem saber o uso, não dá para transformá-lo em recurso.

O cliente da educação não é quem compra o curso nem quem faz o curso. É a sociedade.

Juliana de Freitas, gestora de pós-graduação
27:40 no episódio

Educação como produto, e o produto que ela de fato é

Este é o trecho mais afiado. Se educação virou produto, o erro está em achar que o cliente é quem paga. Para ela, o produto é o estado de aprendizagem das pessoas que passaram por ali, e ele é entregue à sociedade: primeiro como cidadãos, depois como profissionais.

34:20 no episódio

O maior benefício da IA é de acesso, não de produtividade

O argumento é de desigualdade. Nem todos têm acesso a educação de qualidade, nem a informação. Mas boa parte da população tem celular e conexão. É aí que ela enxerga o ganho real, sem ingenuidade: quem quer usar tecnologia para o mal sempre se move mais rápido.

41:24 no episódio

Se a resposta certa está sempre à mão, o que resta desenvolver

A resposta dela é análise crítica, e ela nota que isso sempre foi fundamental e agora é ainda mais. O risco que ela descreve é de isolamento: ficar dentro da ferramenta, que é mais confortável e já entrega o resultado, e deixar de desenvolver o que só se aprende em outros contextos.

55:12 no episódio

As avós que ensinam melhor que os professores

Ela conta do projeto School in the Cloud, em que crianças aprendem sozinhas com um computador conectado e adultos que só cuidam da segurança. As mediadoras são avós, não mães, e a explicação é ótima: mãe cobra, avó valoriza e faz a criança querer ir além.

1:02:07 no episódio

A aula online de câmeras fechadas não é interação

Ela defende que interação não é conversa por conversa, é troca pelo que o outro tem a ensinar. E aponta a causa da tela preta: muita gente acredita que não tem nada a aprender com os colegas. Se a educação online vai crescer, garantir essa troca deixa de ser detalhe.

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