Helena Black conta histórias para famílias usando a arte drag. Debaixo da maquiagem existe Paulo Reis, e ele descreve o próprio trabalho como missão: tornar o mundo menos racista, menos homofóbico e menos misógino pela contação de história.
Vinte minutos, e o mapa da conversa está aqui.
A criança de dez anos que a abraçou no dia seguinte
Ela conta do reencontro com uma criança que tinha visto a apresentação na noite anterior. E resume ali o objetivo do trabalho: agir para que aquela criança não se torne um adulto problemático, que é o que a sociedade costuma produzir.
Carapicuíba, e a comida que vinha do lixo
Ela nasceu em família pobre e liga a própria narrativa à de Carolina Maria de Jesus, que escrevia o cotidiano da comunidade em cadernos achados no lixo. A irmã dela conta que a mãe pegava comida do lixo, limpava e cozinhava. O ponto que ela faz questão de marcar: viver da arte hoje não apaga de onde veio.
Adotado aos seis anos, criado entre cinco irmãs
Foi adotado pelo primo do pai, numa casa com cinco filhas. A mãe dizia que adotou o filho que não teve, e ela brinca que o filho que apareceu foi outro. É de onde vem a frase de que a vida dela é feminina o tempo inteiro.
A mulher tem essa capacidade de olhar para além da primeira aparência, porque precisa fazer isso consigo o tempo inteiro.
Como a contação drag começou, e por acaso
Ela era educadora no Sesc quando pediram que contasse um livro específico caracterizada de drag. A reação dela foi que nunca tinha visto aquilo com criança. Pesquisou, viu que já acontecia fora do país e resolveu fazer aqui. Deu certo, e virou repertório.
Ninguém vê o que existe antes de ficar pronta
O trecho desmonta a ideia de que quem sobe ao palco vive feliz para sempre. Ela fala do direito de ficar um dia recolhida quando a tristeza chega, e do limite disso: não pode durar dias. E dá o motivo pelo qual levanta mesmo assim, que é mostrar às irmãs, à família e aos vizinhos que a vida é ação.
O que colabora não vira notícia
O fecho é da Fernanda e ela acerta em cheio: tragédia dá manchete, colaboração não. Daí a proposta que encerra o episódio, e que explica por que este acervo existe: fazer o que funciona virar notícia.