# José Zuquim

Fonte: Bora Facilitar, episódio em https://www.youtube.com/watch?v=zBci7qVxSRw

Ele fundou a Ambiental Turismo, que faz viagens de incentivo e premiação para
empresas, e foi presidente do Greenpeace no Brasil na época em que o escritório
brasileiro estava sendo montado. A conversa junta as duas coisas e chega numa
pergunta que toda área de RH deveria se fazer: o que o seu programa de
incentivo está de fato incentivando?

O mapa está aqui, e cada ponto leva ao minuto no vídeo.

[05:21] O argumento contra o destino óbvio é de orçamento e de experiência. Se Paris custa tanto que sobra para um passeio e um jantar, a viagem vira anticlímax. Com o mesmo dinheiro em Noronha dá para fazer algo intenso, e ele conta de um show reservado para trinta clientes como exemplo do que esse cálculo permite.

[10:30] Ele recebeu um briefing impecável de uma fabricante de colas e mesmo assim insistiu em saber mais. Foi aí que apareceu a história de que a empresa desenvolveu a cola usada para restaurar a máscara de Tutancâmon. Ele encerra o briefing na hora: era isso que faltava.

[15:54] Para ele, um incentivo mal desenhado é passagem, hospedagem e nada mais. O que faz a premiação funcionar é ela mostrar à pessoa que o trabalho dela importa, e alimentar a rodada seguinte. Ele se descreve como fornecedor chato justamente por insistir nisso.

[21:13] Estava marcando um curso de inglês na Escócia quando lembrou das competições de força das terras altas. Achou o organizador, assistiu ao campeonato num dia e, no dia seguinte, com a estrutura ainda montada, o grupo fez o próprio campeonato. É o tipo de coisa que não sai de catálogo.

[26:11] Há mais de vinte e cinco anos eles começaram a reduzir a pegada das viagens, e o cliente não via valor nisso. A decisão foi absorver o custo por conta própria, por coerência com o nome da empresa. Hoje ele diz que leva bronca quando esquece a linha do sequestro de carbono na planilha.

> A pessoa não está negociando o valor de uma atividade. Ela está negociando o seu negócio.
>
> José Zuquim

[37:21] Um hotel no Rio segurou os quartos além da hora combinada e o grupo inteiro ficou esperando às cinco da tarde. Ele pegou um avião e foi resolver pessoalmente. É a parte menos glamourosa do ofício, e a que define se o cliente volta.

[47:53] Ele desconfia do próprio discurso, e essa é a melhor parte. Lembra que ler no Kindle economiza papel mas consome água para refrigerar servidor, e que o carro elétrico dele ainda depende de bateria. A conclusão não é paralisia: é não confundir narrativa com balanço.

[58:05] O fecho é uma provocação para quem constrói cultura: as empresas incentivam uma coisa e querem outra. Ele reconhece que o indicador fácil é sempre o de volume e o financeiro direto, e defende procurar os outros, que mostram a saúde real do negócio.
