# Convidaram para a festa, mas não chamaram para dançar

Fonte: Bora Facilitar, artigo, editado a partir do episódio https://www.youtube.com/watch?v=lnqu3n0pnkI

Mariane Pieroni é profissional de pessoas com passagem por grandes empresas e
por startup. O episódio abre o Bora Facilitar, e ele é sobre uma palavra:
genuíno.

Ela usa essa palavra para separar o que a empresa diz do que a empresa faz. E o
episódio inteiro é uma coleção de lugares onde essa distância aparece.

## O ditado que denuncia o processo

Ela repete um ditado que ouviu nas últimas grandes empresas por onde passou, e
ele é bem mais grave do que soa:

> A gente contrata pelo técnico, mas a gente demite pelo comportamental.
>
> Mariane Pieroni

Se o motivo da saída quase nunca é o motivo da entrada, o
processo de entrada está medindo a coisa errada.

E aqui ela traz uma correção de vocabulário que aprendeu num evento e adotou:
empresas não deveriam buscar *fit* cultural. Deveriam buscar alguém que
**acrescenta algo**.

**Por que fit é a pergunta errada**

Fit procura semelhança com o que já existe. Numa cultura que precisa evoluir,
contratar semelhança é contratar mais do mesmo, e depois estranhar que nada
muda.

## Cultura que cresce até não caber

O relato sobre evolução de cultura é dos mais concretos do episódio, e serve
para qualquer empresa em crescimento.

No começo eram poucas pessoas, que cresceram junto com a empresa e viviam
aquilo naturalmente. Veio um CEO novo, vieram pessoas novas, e a cultura foi
reescrita em oito valores.

Aí a empresa cresceu até quase sete mil pessoas. E o que era vivido por poucos
virou algo grande demais para ser vivido por osmose. Vai chegando mais
gente, trazendo cultura de outros lugares, e vira insustentável.

Ela tem uma frase que resolve a confusão entre cultura e discurso: o que as
pessoas são na vida elas são na empresa, e o que elas são na empresa elas são na
vida. Não tem como separar.

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## Convidar não é incluir

O trecho mais afiado é sobre diversidade, e ele veio de uma conferência de
desenvolvimento em Nova Orleans, onde se falava de retrocesso no mercado.

O diagnóstico: contratou-se muito, e está se perdendo muita gente por falta de
inclusão.

[49:20] "As empresas convidaram para a festa, mas elas não estão chamando para dançar."

E a saída que ela propõe é de treinamento, não de campanha. Equidade, para ela,
é garantir que pessoas na mesma posição tenham acesso às mesmas ferramentas
**e saibam usá-las**. Independentemente de cor, de origem, de qualquer coisa.

Ela nota que é difícil encontrar consultoria que faça isso, e essa observação
diz muito: existe muita oferta de sensibilização e pouca de capacitação. É a
diferença entre
[informar e treinar](/episodios/informacao-nao-e-treinamento/), aplicada ao
tema onde ela custa mais caro.

## O de-para errado da pandemia

Tem uma parte que fala direto com quem desenha aprendizagem.

Na pandemia, as pessoas cobravam desenvolvimento o tempo todo. "Não sinto que
estou sendo desenvolvido." A resposta comum foi montar hub de conteúdo,
universidade corporativa.

Só que nem sempre é isso que a pessoa quer. Às vezes ela quer sala de aula,
porque é assim que ela aprende.

E aí vem a crítica dela ao movimento inteiro: todo mundo foi para o online, mas
fizeram um de-para errado. A mídia é diferente, ela
conversa diferente. Para ter a mesma eficiência de um treinamento presencial,
ela precisa ser desenhada como outra coisa, não como a mesma coisa transposta.

É exatamente o ponto de que
[o mesmo conteúdo aceita formatos diferentes](/episodios/design-instrucional-e-design-de-experiencia-de-aprendizagem/),
e de que trocar o formato sem redesenhar não é migração, é degradação.

## O RH que se trata como suporte

Ela chama de lado obscuro da própria área: achar que é área de suporte.

> Eu não sou uma área de suporte. Eu sou definitivamente uma área estratégica de negócio.
>
> Mariane Pieroni

O que isso exige na prática é estar colada no negócio: saber em que estágio e em
que maturidade cada operação está, e entender que o que se oferece para um lado
não é o que se oferece para o outro.

Ela diz ter visto muita área de gente com projeto bonito e completamente
descolado do negócio. É a mesma raiz do problema de
[indicador de treinamento](/episodios/treinamentos-que-impactam-nos-negocios/):
sem conexão com o resultado, a área fica na posição de quem está ali quando bate
a meta e continua ali quando não bate.

E o que ela trouxe de startup para grandes empresas é o antídoto mais simples:
diretriz e parâmetro em vez de política. Quanto mais simples, melhor. Bora
facilitar, literalmente.
