# Claudio Yamaguchi - As habilidades humanas

Fonte: Bora Facilitar, episódio em https://www.youtube.com/watch?v=2MU5AXDlARQ

Autor, facilitador de aprendizagem e de conversas, e palhaço. As três coisas
aparecem no episódio e, no fim, se explicam umas às outras.

É o episódio mais denso da primeira temporada, e o mapa está
aqui: cada ponto leva ao minuto no vídeo.

[71:30] Num treinamento para gerentes, ele fez a pergunta padrão e a sala inteira ficou parada. Trocou a pergunta por "quantos problemas vocês resolvem por dia" e todo mundo levantou. Ele não ensinou criatividade a ninguém: mostrou que a palavra usada não descrevia o que aquelas pessoas faziam.

[27:40] Ele viu pessoas trabalhando de cócoras e leu aquilo como condição precária. Era a posição mais confortável e saudável ali, e um costureiro tinha construído um degrau para trabalhar assim, por vontade própria. Todo levantamento de necessidade corre esse risco: chamar de falta o que é diferença.

[11:40] O exemplo cotidiano de ambiguidade: emoji e joinha mudam de sentido entre gerações, e ninguém avisa ninguém. Ele usa isso para falar de comunicação e de viés, com Kahneman e os dois sistemas ao fundo.

[43:00] Ele usa o trânsito como exemplo: faixa, semáforo, agente, cada camada nova tentando corrigir comportamento. E observa que um problema simples mal resolvido vira complicado, e depois complexo, à medida que mais gente e mais interesse entram nele.

> Você consegue ter controle de processo. O que você não tem é controle sobre o comportamento das pessoas.
>
> Claudio Yamaguchi

[47:05] O trecho mais afiado sobre cultura organizacional. Regras, compliance e ferramentas dão controle de processo e nenhuma garantia de comportamento. Ele chama de falso controle a ansiedade que vira microgerenciamento, e propõe virar o foco para o problema que a empresa está resolvendo.

[67:10] Para ele, facilitar não é levar conteúdo: é perceber o valor que alguém do grupo está trazendo e que está sendo ignorado. Alguém com vinte anos de casa carrega coisa que não teve uso na época e tem uso agora.

[75:40] Ele estudou palhaço e conta que a técnica ensinou presença: chegar sem o número pronto e trabalhar com o que vier. É a mesma conclusão que [José Pacheco alcança por outro caminho](/episodios/numa-sala-de-aula-nada-se-aprende-com-jose-pacheco/), quando percebe que estava atuando um roteiro escrito horas antes.
