# Cássia Soumali

Fonte: Bora Facilitar, episódio em https://www.youtube.com/watch?v=3pftcSugJww

Profissional de RH com passagem por várias indústrias. É o episódio do Festival
que mais fala de dentro da área de gente, e ele termina numa pergunta que
ninguém faz: do que você abriu mão para chegar onde chegou?

Vinte e sete minutos, e o mapa está aqui.

[02:42] Ela cita a pesquisa conhecida: mulheres tendem a só se candidatar quando atendem a quase todos os requisitos, enquanto homens se candidatam atendendo a uma fração. E diz que enxerga isso o tempo todo em conversa de carreira e processo seletivo.

[05:30] Foi convidada para liderar tendo um filho pequeno e gêmeos de seis meses, e foi até a fundadora perguntar por que ela queria uma mulher naquele momento, tendo outras opções. Só depois percebeu o que aquela pergunta dizia sobre ela mesma, e passou a reconhecer o padrão nas mulheres à volta.

[08:18] A observação é fina: quando se discute projeto de vida com mulheres em liderança, o teto costuma parar na vice-presidência. Não é falta de competência, é falta de projeção, e projeção também se constrói.

> Nunca precisou ter uma bandeira na porta sobre isso. É um tema que acontece na prática.
>
> Cássia Soumali

[11:03] Ela conta de uma organização em que a nota mais alta na certificação é justamente em diversidade, sem discurso externo, e contrasta com outra em que noventa por cento da liderança tinha o mesmo perfil. A conclusão é que em alguns setores o movimento deliberado é indispensável.

[13:39] Ela descreve a própria família e usa isso como argumento: se o país é diverso e as casas são diversas, a ausência disso na tomada de decisão é uma escolha. E observa que o consumidor percebe quando a diversidade existe só para fora.

[16:11] As duas apontam a contradição da área: espera-se que o RH seja psicólogo e assistente social de todo mundo, e quase não existem ações do RH para o próprio RH, porque são eles que movimentam tudo. Cuidar de todos e ficar por último é parte do que ela chama de preço.

[21:15] O fecho é sobre inteligência artificial, mas o argumento é de formação: durante anos treinou-se a parte técnica, que é exatamente a substituível, e não a inteligência emocional, o autocontrole e a influência. Ela ainda levanta uma pergunta que quase ninguém está fazendo: o que isso faz com descrição de cargo e com estratégia de remuneração.
